sábado, 28 de maio de 2016

Das tantas cartas que gostaria de te mandar #1

Eu sei, eu sou um amante um tanto cliché. Idealista e idealizador demais, com certeza foram os livros e os filmes românticos que me estragaram. E me tornei este homem hiper apaixonado, que põe a crença de que só vale a pena viver quando se descobre a delícia de estar apaixonado e se entregar totalmente ao outro. Só vale a pena viver quando se descobre que o amor é o motor de tudo, e a paixão é o fogo que alimenta nossa vontade de estudar, trabalhar e se dedicar à tudo o que é necessário e que vale a pena viver.

Você veio e mexeu demais comigo, me trouxe uma nova realidade, novas idéias, inspiração, experiências. De longe os bons momentos que passamos juntos foram os melhores que eu já tive desde que deixei de ser criança. Você mostrou para mim que o homem que se forma hoje ainda tem aquela criança adorável dentro de si. Você também me fez amadurecer muito, e de muitas formas. Até hoje me pego refletindo sobre o que posso aprender com você, e todo dia descubro algo novo que as experiências com você me proporcionaram.

Talvez eu devesse seguir o que sempre me foi aconselhado, "siga em frente e não olhe para trás", mas a verdade é que por mais que eu queira, por mais que eu deseje não te querer, você é em tudo a mulher que eu sempre quis. A única com quem eu sonho todas as noites, a única para a qual todas as manhãs eu peço a Deus que a abençoe, a única que me faz desejar que se um dia eu tiver uma filha, que ela possa ter a sua cara e o seu jeito meigo de ser. A única com quem eu realmente desejaria um dia poder chamar de "minha parceira, amante, amiga, mulher".

Desejo-te não por possessão, pois sei que és livre para ir e fazer o que quiser, mas Desejo-te por te querer absurdamente bem, de todas as formas. Te ver sorrir me ilumina a alma, e te fazer sorrir sempre foi minha meta diária. Teu abraço é lugar de paz sem igual, e quem me dera poder ter você entre meus braços mais uma vez. Te dar prazer até saciar-te por completo sempre foi meu maior prazer, e até hoje busco algo próximo do que foi estar com você na cama, mas nada se compara. Você é única.

Me pego perguntando enfim qual o limite que separa o amor próprio do orgulho besta, mas de que vale ser um orgulhoso besta se isso te impede de amar aquilo que realmente vale a pena? Em contrapartida de que adianta entregar-se de corpo e alma se a outra parte não o quer?

A verdade é que por você eu lutaria incansavelmente todos os dias para te conquistar se eu soubesse que você ainda me ama. De alguma forma, eu daria o jeito que fosse preciso para acender essa chama quase apagada. Porque o que faz dar certo é a vontade de fazer dar certo, e com você essa vontade é toda certeza de que preciso.

Amo-te, por completo, incansavelmente.

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Essa coisa chamada felicidade



Minha pequena Sophie já tinha quase dezoito anos quando tivemos esta conversa. Sempre muito questionadora, afinal tinha que ter puxado o espírito cientista do pai e combinado com a personalidade forte da mãe. Mas apesar de ser uma garota saudável e que cresceu com todas as melhores oportunidades, comecei a notar uma tristeza crescente na minha pequena. Tristeza que sempre tentava disfarçar, mesmo sem perceber, nas banalidades da vida. Há essa altura Sophie cada dia mais se aproximava de ser uma pessoa vazia e fútil, como se isso pudesse suprir de alguma forma seu déficit de felicidade.

Lembro bem desse dia, um domingo a tarde enquanto descansávamos na beira de um rio após uma longa trilha na mata local.

- Filha, qual o sentido da vida?

Surpresa com a pergunta certamente estranha, Sophie hesitou.

- Eu sei lá pai, isso de sentido da vida é muito complexo.

- É filha, eu sei. Mas como você se sente quando pensa sobre isso, digo, quando pensa sobre sua própria existência e o que te motiva a viver?

- Não sei pai, as vezes acho que não consigo encontrar sentido nas coisas.

- É, filha, e eu entendo você. Hoje na rotina que vivemos é muito difícil encontrar esse sentido. Estamos tão ocupados com nossas coisas, preocupados em como conseguir dinheiro, preocupados em ter um milhão de amigos, preocupados com o que vestir, comer e fazer que nem conseguimos saber ao certo de por quê fazemos tudo isso. As coisas tem um sentido imediato e só. E depois?

- Infelizmente passamos a ter uma vida descartável, com amigos descartáveis, relacionamentos descartáveis, empregos descartáveis. E isso é fruto do modelo de sociedade que escolhemos viver, onde o consumo é a lei, só que consumo não é felicidade. Tudo é consumível, mas só por um tempo, porque tudo sempre perde a validade.

- Sem perceber trouxemos isso para o plano pessoal. Essa lógica tornou as pessoas egoístas, preocupadas somente com elas mesmas e na sua busca insana por mais e mais prazer. Se algo deixa de nos dar prazer por curto tempo, mesmo que no longo prazo a recompensa possa ser incrível, nós desistimos e procuramos algo que nos dê prazer imediato.

- A consequência disso? Não nos preocupamos mais em ter amigos verdadeiros, porque amigos verdadeiros podem falar coisas que nem sempre gostamos. Ao invés disso preferimos ter muitos amigos, mas sempre superficiais. Passamos a acreditar que relacionamentos não foram feitos para durar, simplesmente porque não podemos aceitar conviver e aprender com os defeitos e problemas do outro, e ao invés de aceitar as delícias de se dividir e ter intimidade com alguém, preferimos o sexo casual, que pode ser bom, mas não traz felicidade.

- Por trás de toda esta cortina de futilidades as pessoas esquecem que a única coisa que faz sentido na vida é a felicidade. Ou na verdade, cegas de si mesmas, passam a buscar a felicidade nos lugares errados.

- Mas pai, felicidade é algo tão complexo! Não existe uma fórmula universal para isso.

- É verdade, Sophie. Mas se você parar para refletir sobre isso irá notar que existem princípios fundamentais que norteiam essa busca.

- A felicidade é um estado de paz e bem-estar que só consegue ser verdadeiramente alcançada se atender a três princípios básicos: é preciso estar bem com você mesma; é preciso estar bem com as pessoas a sua volta; e é preciso estar bem com o universo.

- Estar bem com você é fundamental. Só é possível ser feliz quando você aceita a si mesma do jeito que é, reconhece que não é perfeita e que nunca será, mas assume que precisa sempre buscar ser uma pessoa melhor – o que implica sim tentar mudar os seus defeitos mais graves. Somos diamantes brutos que precisam ser lapidados e polidos para deixarmos toda a nossa beleza brilhar. Um resumo deste princípio? Amor próprio.

- Estar bem com as pessoas a sua volta é fundamental. Ninguém é feliz sozinho, porque fomos programados para viver em grupo. Precisamos interagir, ter amigos, namorar, ter filhos, cada um dentro do seu plano pessoal de vida. A qualidade dessas relações nos dá prazer e conforto, e reconhecer que ninguém é forte sozinho é um passo fundamental para viver bem. Claro que isso implica aprender a conviver com os outros, saber respeitar e exigir respeito daqueles que te cercam.

- Por fim mas não menos importante, é preciso estar bem com o mundo a sua volta. Digo, mesmo que você cumpra com os dois princípios acima, ainda é preciso ter uma luz, um direcionamento filosófico que te dê respostas a perguntas que nem sempre conseguimos encontrar no dia a dia. A isso damos o nome de FÉ. Você pode ter fé em Deus, ou fé em um mundo melhor, mas você nunca será completamente feliz se não conseguir ter fé em nada, pois é isso que te proporciona uma conexão com o universo, um sentido e uma esperança que motivam a existência.

- Nossa pai, você falando assim até parece que é muito fácil ser feliz.

- Não filha, ser feliz nem sempre é fácil. É preciso entender que a felicidade é um caminho que trilhamos, muitas vezes fruto de nossas escolhas. Com quem escolhemos estar? O que escolhemos fazer da nossa vida? No que acreditamos? É um caminho muitas vezes difícil, mas é o único que vale a pena seguir.

- E você é feliz, pai?

Hoje posso dizer que sou. Demorei para aprender isto, mas a experiência é irmã da sabedoria. Percebo isso toda vez que paro e penso em tudo o que já vivi até aqui, e não me arrependo das escolhas que fiz. E principalmente quando olho para você, Sophie, e vejo o quanto valeu a pena ter tomado todas as decisões que me permitiram estar aqui com você hoje, e todas as escolhas que te permitiram ser esta incrível mulher que você está para se tornar.

sábado, 5 de dezembro de 2015

O que é o amor?



- Papai, o que é o amor?

Ao ouvir minha pequena Sophie me fazer uma pergunta tão complexa, disse:

- Filhota, sente aqui na perna do papai.

Seus olhos castanhos me fitavam com curiosidade enquanto meditava por alguns segundos. Como responder a algo tão complexo, cheio de significados, com tantas formas diferentes? Foi quando então falei:

- Filha, o amor é algo muito curioso. Sabe o Romeu, seu gato de estimação?

- Sim papai, o que tem ele?

- Lembra quando ele ficou doente no meio da noite e tivemos que correr para o veterinário?

- Lembro sim papai, o médico disse que ele tinha comido carne envenenada!

- Naquele dia nós largamos tudo o que tínhamos e fomos correndo cuidar do gato. Pouco importava que horas eram da noite, ou se tinha que acordar cedo no dia seguinte por causa da escola ou trabalho, só importava a saúde do Romeu e se ele iria ficar bem. Fizemos tudo aquilo porque nós amamos o Romeu.

- O amor nos faz querer bem os outros. Ele pode ter várias caras, várias formas, mas ele é universal e é o que faz todo mundo querer continuar vivendo. O amor a nossa vida, o amor ao próximo, o amor que o papai tem por você. Tem várias formas mas no fim é tudo amor.

- Sem amor nossa vida não faria sentido. Não teríamos por quê querer ter saúde ou terminar a escola se a gente não tivesse amor próprio pela nossa vida. Nem teria por quê continuar vivendo em cidades se ninguém gostasse de ninguém. As pessoas se destruiriam sem o amor. Ele é a super cola que faz todas as pessoas, mesmo apesar de todas as dificuldades, continuarem juntas. E ele faz a gente se sentir cada vez melhor. Quanto mais amor, mais feliz a gente se sente.

- Amar é querer bem sem limites. Se você tem amor próprio fará de tudo para que você fique bem com você mesma. Vai cuidar da sua saúde, dos seus estudos e das suas amizades. Se você tem amor ao próximo não vai querer ver ninguém passando mal, nem sem ter onde morar. O amor também não vê cor, não vê religião, não vê país de origem e nem classe social, ele só vê a vida como seu maior objetivo. Porque é o amor que nos mantém vivos, e faz todo dia ser um milagre!

- E o amor entre duas pessoas, tipo você e a mamãe?

- O amor sincero e verdadeiro entre um homem e uma mulher é sempre algo muito especial. Digo verdadeiro porque nem sempre as pessoas ficam com as outras por amar de verdade. Nem todo mundo sabe amar outra pessoa, porque somos muito egoístas. Para amar de verdade outra pessoa precisamos ter muita coragem para negar um pouco os nossos desejos, saber dividir nosso tempo com o outro e aprender a superar nossas dificuldades.

- Ao mesmo tempo o amor sincero entre duas pessoas faz das duas cada dia mais fortes. Elas aprendem que sozinhas são cada um com suas fraquezas, mas quando ficam juntas podem ser muito mais fortes para enfrentar os maus momentos. Aprendem que ainda tem muito a aprender, e que cada um pode ajudar o outro a ser uma pessoa melhor. Aprendem que suas vontades não são absolutas, e que nem tudo no mundo precisa ser perfeito, porque talvez a perfeição da vida esteja justamente nas imperfeições. Mas aprendem que a felicidade não tem limites, que todos os sonhos são possíveis e que o que se perde estando com alguém é muito pouco quando se olha para os bons momentos que passaram juntos.

- Acredito que existe uma razão, um motivo filosófico da vida para que as pessoas fiquem juntas: só a convivência íntima com outra pessoa nos permite sermos pessoas verdadeiramente melhores, e só a entrega ao amor sincero nos dá forças e motivos para superarmos nossos defeitos mais profundos. É preciso ter muita coragem para conviver com alguém e aceitar os defeitos dos outros, mas mais coragem ainda para corrigirmos nossos próprios defeitos.

- Amar não é fácil, é sempre mais fácil ficar sozinho porque assim não temos dificuldades para enfrentar, não temos tempo para dividir e assim fica fácil desistir de tudo. Assim as pessoas se fecham no seu egoísmo pensando que escapar de resolver seus defeitos vai fazer delas pessoas mais felizes, mas não pensam que esses defeitos em algum nível trazem problemas para elas mesmas. Problemas que se acumulam, se acumulam, até um dia estourarem e só então a pessoa perceber o que fez com a própria vida. Uma pessoa vazia e com relacionamentos superficiais, sem nada que seja verdadeiro.

- E o amor que você tem pela mamãe?

- Ah minha filha, esse foi e ainda é muito especial. Eu sempre vou querer muito bem a sua mãe seja lá onde quer que ela vá, e com quem quer que ela esteja. Esse amor foi o mais puro que um dia já tivemos, a melhor parte de nossas canções preferidas, foi intenso e belo, e ajudou a fazer do mundo um lugar melhor, nos fez pessoas melhores, e nos deu aquilo que nós temos de mais precioso no mundo: você.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

O amor, a maior alegria de existir...


Minha amada,

A maior alegria na vida de um homem é amar. Não adianta procurar pela felicidade onde ela não existe. Não se encontra felicidade na ganância, no orgulho ou no poder, da mesma forma que não se encontra um peixe vivo no meio de um deserto de areia.

Claro que a primeira vista temos a sensação de tudo isso, a ganância, o orgulho e o poder nos fazem  feliz, mas tudo não passa de uma ilusão, criados por um falso conforto e segurança. Como um veneno que mata lentamente, eles se tornam um vício, que aos poucos vão inchando o coração de egoísmo e vaidade, enquanto o esvaziam de toda a compaixão e perdão, matando aos poucos toda a capacidade e sentido de viver e ser feliz. Ao final quem se deixa acreditar que será feliz seguindo este caminho só encontrará uma vida vazia de sentido, enquanto busca desesperadamente algo que preencha o seu coração frio e pequeno.

A verdade é que sábio é aquele que descobre no amor a verdadeira felicidade. A alegria de compartilhar com outro da simplicidade da existência, que pode ser em um abraço, um beijo ou em um gesto de carinho e fraternidade. Admirar e se deixar encantar pela beleza que existe no mundo, na variedade de azuis e vermelhos que tinge o céu todos os dias, ou entender quão magnífica é a vida ao permitir que seres tão pequenos como uma abelha ou joaninha possam ter um papel, por mais ínfimo que possa parecer, mas ao mesmo tempo tão fundamental para a existência de tudo que chamamos de vida em nosso planeta.

Viver é magnífico, mas amar é o auge do sentido da existência. Só o amor liberta e faz enxergar o que realmente importa na vida, este amor que muda, que cura, que salva e renova nossas esperanças, nossos sonhos e expectativas.

A maior alegria de um homem é amar, e hoje eu encontro toda esta alegria em você, meu amor. Você que me inspira a pensar o nosso futuro, e a viver intensamente o nosso presente, como o verdadeiro presente de Deus que a vida é. Te amo, meu amor.

Do seu amor,

L. Scott